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Ótimo texto, como de praxe! Gostaria de notar, assim, que a teodiceia estrutural deve, de outra forma, depositar o mal enquanto momento determinado da Criação: me parece que o seu texto, apesar de bem escrito (esse certamente não é o problema!), aborda o mal enquanto um ‘outro’, mas um outro externo ao absoluto, enquanto que a diferença ontológica, e ela existe, é imanente, interna ao absoluto na forma da extrusão de sua própria essência enquanto mundo. É evidente que a diferença ontológica deposita ‘de um lado’ (por assim dizer), Deus, e ‘de outro lado’, o mundo, mas que enquanto negação determinada, o mundo é o ser-outro em sentido pleno, mas assim interno ao Lógos enquanto ‘natureza’, leia-se, enquanto ser-outro na concreção da subjetividade divina, que sendo verdadeiramente infinita, abarca o mal enquanto outro de si, mas que só o é, isso é, enquanto divina, enquanto ser em-si e para outro de si (esse ‘para outro de si’ sendo o próprio Lógos enquanto segunda pessoa da Trindade). O ser-outro é, de pleno direito, igualmente divino, isso é a identidade na diferença.

Ademais, a própria introdução do termo ‘ontoeinailógico’, enquanto designação da dimensão do ‘ser enquanto ser’, incorre numa dificuldade: a aporia fundamental de que o ser não constitui um gênero unívoco passível de determinação lógica direta. Ao tentar condensar numa expressão composta uma ‘lógica do ser enquanto ser’, Aristóteles incorre à proposição de que ‘o ser se diz de muitos modos’: o resultado é que o termo pode se tornar problemático, não pela teologia de um e.g. Scotus, mas dentro de uma teologia em que o ‘ser enquanto ser’ não é plenamente definido, e enquanto simplesmente identificá-lo enquanto ‘Deus’ é igualmente problemático.

Incorre na pergunta: ‘o que é o ser enquanto ser?’. Hegel define que o ser, em sua ausência de determinação, é idêntico, sobre o indeterminado, ao nada, que é igualmente ausência de determinação; o que seria o ser, portanto? É, além do indeterminado, a determinação ou negação de si próprio (Kénosis) pelo devir. Quase soa como dizer: Deus ‘torna-se’ Deus a partir de seu ser-outro.

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