Ótimo texto, como de praxe! Gostaria de notar, assim, que a teodiceia estrutural deve, de outra forma, depositar o mal enquanto momento determinado da Criação: me parece que o seu texto, apesar de bem escrito (esse certamente não é o problema!), aborda o mal enquanto um ‘outro’, mas um outro externo ao absoluto, enquanto que a diferença ontológica, e ela existe, é imanente, interna ao absoluto na forma da extrusão de sua própria essência enquanto mundo. É evidente que a diferença ontológica deposita ‘de um lado’ (por assim dizer), Deus, e ‘de outro lado’, o mundo, mas que enquanto negação determinada, o mundo é o ser-outro em sentido pleno, mas assim interno ao Lógos enquanto ‘natureza’, leia-se, enquanto ser-outro na concreção da subjetividade divina, que sendo verdadeiramente infinita, abarca o mal enquanto outro de si, mas que só o é, isso é, enquanto divina, enquanto ser em-si e para outro de si (esse ‘para outro de si’ sendo o próprio Lógos enquanto segunda pessoa da Trindade). O ser-outro é, de pleno direito, igualmente divino, isso é a identidade na diferença.
Ademais, a própria introdução do termo ‘ontoeinailógico’, enquanto designação da dimensão do ‘ser enquanto ser’, incorre numa dificuldade: a aporia fundamental de que o ser não constitui um gênero unívoco passível de determinação lógica direta. Ao tentar condensar numa expressão composta uma ‘lógica do ser enquanto ser’, Aristóteles incorre à proposição de que ‘o ser se diz de muitos modos’: o resultado é que o termo pode se tornar problemático, não pela teologia de um e.g. Scotus, mas dentro de uma teologia em que o ‘ser enquanto ser’ não é plenamente definido, e enquanto simplesmente identificá-lo enquanto ‘Deus’ é igualmente problemático.
Incorre na pergunta: ‘o que é o ser enquanto ser?’. Hegel define que o ser, em sua ausência de determinação, é idêntico, sobre o indeterminado, ao nada, que é igualmente ausência de determinação; o que seria o ser, portanto? É, além do indeterminado, a determinação ou negação de si próprio (Kénosis) pelo devir. Quase soa como dizer: Deus ‘torna-se’ Deus a partir de seu ser-outro.
Olá Gabriel! Agradeço o interesse nos meus textos e os seus comentários reflexivos e ponderados! Meu pensamento filosófico, inspirado grandemente pela filosofia de Lorenz Puntel, parte de conceitos, pressupostos e categorias que em grande parte não coincidem com aquelas do pensamento hegeliano, salvo por uma aplicação pontual, embora fundamental, de um "motivo" da dialética hegeliana pelo qual articulo uma revisão do princípio de identidade a que denomino "identidade imprópria". Penso que você pode ter interesse nesses temas outros que abordo, sobretudo em papers e obras publicadas. Tenho um parágrafo (que funcionam como capítulos) em minha obra "Recordar o Ser em que endereço críticas específicas à dialética de ser e nada de Hegel no começo da Ciência da Lógica. Também em minha obra "Análise e Verdade", explicito a minha concepção de Deus e do Ser à luz do tema da verdade, e onde entra a minha concepção de identidade. São vários temas interconectados, e me é impossível explicar aqui. Exemplo: a respeito e Hegel, escrevi um paper exclusivamente dedicado a responder às críticas de Lorenz Puntel a respeito da dialética hegeliana que ele considera ininteligível. E embora haja inúmeros pontos de divergência entre o meu pensamento e o de Hegel, eu adoto parcial e limitadamente a ideia dialética quanto à identidade, reinterpretada ao meu modo, e sob o influxo e influência de Carlos Cirne Lima. Enfim, são muitos temas complexos. Penso que você pode ter interesse em conhecer meu trabalho e verificar por si mesmo essas implicações, aproximações e divergências. Desculpe por não poder dizer muito mais, espero que compreenda, meu caro. E muito obrigado uma vez mais!
Ótimo texto, como de praxe! Gostaria de notar, assim, que a teodiceia estrutural deve, de outra forma, depositar o mal enquanto momento determinado da Criação: me parece que o seu texto, apesar de bem escrito (esse certamente não é o problema!), aborda o mal enquanto um ‘outro’, mas um outro externo ao absoluto, enquanto que a diferença ontológica, e ela existe, é imanente, interna ao absoluto na forma da extrusão de sua própria essência enquanto mundo. É evidente que a diferença ontológica deposita ‘de um lado’ (por assim dizer), Deus, e ‘de outro lado’, o mundo, mas que enquanto negação determinada, o mundo é o ser-outro em sentido pleno, mas assim interno ao Lógos enquanto ‘natureza’, leia-se, enquanto ser-outro na concreção da subjetividade divina, que sendo verdadeiramente infinita, abarca o mal enquanto outro de si, mas que só o é, isso é, enquanto divina, enquanto ser em-si e para outro de si (esse ‘para outro de si’ sendo o próprio Lógos enquanto segunda pessoa da Trindade). O ser-outro é, de pleno direito, igualmente divino, isso é a identidade na diferença.
Ademais, a própria introdução do termo ‘ontoeinailógico’, enquanto designação da dimensão do ‘ser enquanto ser’, incorre numa dificuldade: a aporia fundamental de que o ser não constitui um gênero unívoco passível de determinação lógica direta. Ao tentar condensar numa expressão composta uma ‘lógica do ser enquanto ser’, Aristóteles incorre à proposição de que ‘o ser se diz de muitos modos’: o resultado é que o termo pode se tornar problemático, não pela teologia de um e.g. Scotus, mas dentro de uma teologia em que o ‘ser enquanto ser’ não é plenamente definido, e enquanto simplesmente identificá-lo enquanto ‘Deus’ é igualmente problemático.
Incorre na pergunta: ‘o que é o ser enquanto ser?’. Hegel define que o ser, em sua ausência de determinação, é idêntico, sobre o indeterminado, ao nada, que é igualmente ausência de determinação; o que seria o ser, portanto? É, além do indeterminado, a determinação ou negação de si próprio (Kénosis) pelo devir. Quase soa como dizer: Deus ‘torna-se’ Deus a partir de seu ser-outro.
Olá Gabriel! Agradeço o interesse nos meus textos e os seus comentários reflexivos e ponderados! Meu pensamento filosófico, inspirado grandemente pela filosofia de Lorenz Puntel, parte de conceitos, pressupostos e categorias que em grande parte não coincidem com aquelas do pensamento hegeliano, salvo por uma aplicação pontual, embora fundamental, de um "motivo" da dialética hegeliana pelo qual articulo uma revisão do princípio de identidade a que denomino "identidade imprópria". Penso que você pode ter interesse nesses temas outros que abordo, sobretudo em papers e obras publicadas. Tenho um parágrafo (que funcionam como capítulos) em minha obra "Recordar o Ser em que endereço críticas específicas à dialética de ser e nada de Hegel no começo da Ciência da Lógica. Também em minha obra "Análise e Verdade", explicito a minha concepção de Deus e do Ser à luz do tema da verdade, e onde entra a minha concepção de identidade. São vários temas interconectados, e me é impossível explicar aqui. Exemplo: a respeito e Hegel, escrevi um paper exclusivamente dedicado a responder às críticas de Lorenz Puntel a respeito da dialética hegeliana que ele considera ininteligível. E embora haja inúmeros pontos de divergência entre o meu pensamento e o de Hegel, eu adoto parcial e limitadamente a ideia dialética quanto à identidade, reinterpretada ao meu modo, e sob o influxo e influência de Carlos Cirne Lima. Enfim, são muitos temas complexos. Penso que você pode ter interesse em conhecer meu trabalho e verificar por si mesmo essas implicações, aproximações e divergências. Desculpe por não poder dizer muito mais, espero que compreenda, meu caro. E muito obrigado uma vez mais!